Bordalo Gonçalves
  • Home
  • Áreas de Prática
    • Empresas
    • Pessoas
    • Futebol
  • Equipa
  • Destaques
  • Contactos
Autor

Alexandra Gonçalves

Alexandra Gonçalves

Opinião

Carta a Santo Ivo

por Alexandra Gonçalves 4 de Junho, 2025
escrito por Alexandra Gonçalves

A 19 de Maio celebra-se o Dia do Advogado, ou melhor, o Dia de Santo Ivo, patrono dos Advogados. Atento o estado da Justiça apetece escrever uma carta, como se dirigida a outro santo, o Nicolau, isto para não mencionarmos caderno de encargos ou rol de reclamações.

Vejamos ao que se assiste:

  • Registos apresentados há mais de 3 meses junto do Registo Comercial e que permanecem pendentes.

  • Processos de Nacionalidade pendem, sem qualquer movimento, por mais de três anos e meio.

  • Notificações de sentença, em processos urgentes, com atrasos de dois meses contados da data da prolação das mesmas.

  • Citações por fazer volvido mais de um mês sobre a entrada das ações.

  • Processos parados por mais de um ano, com recursos interpostos, levaram um ano a ser conclusos ao Juiz.

  • Não contente com isso, após o despacho que admitiu o recurso, a Secção levou perto de 6 meses a remetê-lo à Relação.

Noutros processos, notificam-nos de despacho judicial que comunica que as questões a decidir são de direito e pergunta se prescindimos da realização de julgamento. Afoitos e apressados respondemos que sim, expectantes de rápida sentença. Volvidos 4, 5, 6 anos continuamos à espera.

Notificações pendentes nos tribunais, as partes e os agentes de execução não notificam diretamente o Ministério Público, isso depende de acto da Secretaria. Instada a Secretaria a resposta é deliciosa: «em momento oportuno será realizada».

Enfim, os recursos humanos da Justiça estão absolutamente depauperados, os que restam estão estafados, assoberbados e sobrecarregados.

A impaciência e o desespero abundam.
A falta de maneiras faz-se presente e carrega as almas.

Os problemas de acesso às plataformas, seja das Conservatórias, do Registo Criminal, dos tribunais, limita o bom andamento dos processos, do trabalho e acima de tudo limita e complica a vida das pessoas e das empresas.

Temos, não raras vezes, exigências de compliance de entidades dotadas de pessoas incapazes de ler uma certidão, interpretar um texto ou um parágrafo da lei. Que exigem uma declaração redundante que afirme sob compromisso de honra o que já resulta da certidão.

E o que faz o Advogado? Compra uma batalha ou aceita a imbecilidade para resolver o assunto do cliente?
Parece óbvio o caminho.
Como explicar a um cliente, nomeadamente estrangeiro, que tem de esperar meses por um mero registo comercial ou anos por um processo judicial.

Escrevo estas linhas antes do ato eleitoral de 18 de Maio, desconhecendo quem ganhará as eleições, quem se perfila para os cargos da Justiça, que potenciais ou eventuais coligações surgirão.

O que sei é que o mundo da justiça passa por dificuldades como há muito não se via. A falta de recursos humanos é sentida diariamente.

O prolongado impacto de atos subtraídos aos tribunais, como inventários nos Notários e divórcios e pensões a filhos maiores nas Conservatórias, acarretam problemas e dificuldades dignos de novela.
Não estão, na sua grande parte, talhados para tramitar processos.
Outros não têm interesse.
Nas Conservatórias os Advogados não podem aceder aos processos através de uma plataforma, o processo físico não está devidamente organizado e completo.

Enfim, neste Dia do Advogado, profissão expressamente mencionada na Constituição, desejo uma justiça activa, preparada, com meios e recursos para a realização do trabalho, apta a responder às pessoas, às empresas e a permitir aos profissionais do foro que executem o seu trabalho.

Não é normal, admissível ou aceitável que aguardemos por dezoito anos para que os trabalhadores vejam satisfeitos os seus créditos no Tribunal do Trabalho, ou dez, doze, catorze anos pela resolução de um inventário, ou dezasseis para se declarar a nulidade de um concurso público.

Almejemos por melhor futuro.

4 de Junho, 2025 0 comentários
0 FacebookTwitterPinterestEmail
Opinião

Mentes Vazias e Sinais de Loucura

por Alexandra Gonçalves 1 de Junho, 2025
escrito por Alexandra Gonçalves

No mês em que celebramos a liberdade, a democracia, assistimos a notícias devastadoras. Paga-se, nos Estados Unidos, a eleitores para trazerem outros para votar em juízes republicanos! Sim, porque, pasme-se, há tribunais que aplicam a lei e revogam decisões do Presidente.

A separação de poderes é um instrumento absolutamente essencial do funcionamento dos países. Quer isto dizer, que se não sobrepõem ou anulam.
A independência do poder judicial é absolutamente vital para que possamos acreditar na justiça, mesmo quando não concordamos com a decisão.

Assisto a pronúncias e discursos públicos, cá e fora, absolutamente assustadores. Exibem ignorância, preconceitos diversos e fazem-nos temer pelo futuro.
Agradeço que por cá não tenhamos eleições de juízes, que os mesmos não façam campanha e se vinculem de forma tenebrosa a personagens sinistros.

Custa perceber a dificuldade de articulação de muitos jovens. Raia a incompreensão como as notícias falsas e fabricadas se tornam factos.
Respostas como: li na internet; no insta, no face ou no tiktok banalizaram-se e demonstram a ausência de capacidade de análise e de crítica.

Estamos no domínio da loucura, de gente descerebrada, prontinha para seguir cegamente o idiota de serviço, que fala mais alto, que tem mais seguidores, fãs ou, simplesmente, aduladores à espera do benefício que desejam ou lhes foi prometido.

O livre arbítrio informado, esclarecido e livre é o que nos permite ser pessoa, dotada de individualidade e personalidade.
Os traços de carácter também se medem pelas escolhas que fazemos, pelos compromissos que assumimos, pelas posições que adoptamos.
Umas vezes enganamo-nos, outras não! E orgulhosos ficamos de ter escolhido e de o termos feito bem, com razão e consciência.

Mas nem tudo é mau.
Acabo de ver imagens de videovigilância duma unidade de neonatologia quando aconteceu o sismo de Myanmar. Duas enfermeiras, uma com um bebé ao colo, os berços que se mexem, e as duas a tentar manter o equilíbrio e segurar os berços.
Não pensaram em si próprias, mas sim na sua responsabilidade.
Ainda há esperança!

Que ao fim do dia, se aja da melhor forma, se tome a atitude certa, se adopte a posição que se deve, ainda que isso não traga elogios, popularidade ou ganhos de qualquer natureza.

Gosto de palavras como compromisso, responsabilidade e ética.
Também gosto de consciência, idoneidade e lealdade.

Não faz mal ir contra a corrente se essa é a luz que me guia!
A verticalidade pode ser característica ingrata, mas no fim do dia gostamos do que vemos ao espelho e os nossos pensamentos não nos fazem pesadelos.

Saúde e Paz

1 de Junho, 2025 0 comentários
0 FacebookTwitterPinterestEmail

Publicações Recentes

  • Participação no 3rd International Congress Labour 2030

  • Fraudes por Mensagem e Chamada Telefónica

  • Rui Jorge Rego presente em sessão oficial da SAIF Zone

  • Participação no Canal Now sobre o crime de violência doméstica

  • Tomada de posse como Presidente do Conselho de Deontologia de Lisboa

Categorias

  • Opinião (9)

Bordalo Gonçalves, Rui Jorge Rego e Associados, Sociedade de Advogados

Contactos

Morada: Avenida das Descobertas, n.º 45-A e B, Infantado, 2670-384, Loures

Telefone:  +351 215 947 819

E-Mail:  geral@bordalo.pt

Linkedin Email
Termos e Condições | Política de Privacidade | Política de Cookies

Copyright © 2025 - Bordalo Gonçalves, Rui Jorge Rego e Associados, Sociedade de Advogados SP, RL. Todos os direitos reservados.

Bordalo Gonçalves
  • Home
  • Áreas de Prática
    • Empresas
    • Pessoas
    • Futebol
  • Equipa
  • Destaques
  • Contactos